Publicado por: ceercomunicaciencia | 26/10/2010

Entrevista ao professor da UMinho que venceu o grande prémio BES Inovação

O Presidente da República, Cavaco Silva, entregou hoje o Grande Prémio do Concurso Nacional de Inovação BES ao investigador João Mano, da Universidade do Minho. É a primeira vez que esta academia recebe o galardão. Em entrevista ao site da UMinho, João Mano destaca o potencial da sua investigação em áreas tão díspares como a medicina regenerativa, a agricultura e a cosmética.

Quais são as aplicações práticas que poderemos esperar a partir desta investigação?
Se precisamos, por exemplo, de tomar algum medicamento o que se faz é um doseamento, nomeadamente de oito em oito horas. O ideal era ter algo que pudéssemos implantar no interior do corpo, por via oral ou injecção, e depois o medicamento ir sendo libertando lentamente, sem necessidade de múltiplas dosagens. Foi isso que conseguimos. Esta ideia pode ser expandida para libertar outras substâncias, como pesticidas para a agricultura, perfumes para a cosmética, suplementos alimentares…

Que impacto traz o prémio para a equipa da UMinho e que portas pode abrir?
A nossa equipa ficou muito satisfeita, foi enriquecedor ver o trabalho reconhecido. O impacto em termos práticos e reais é a maior visibilidade. A nossa tecnologia estava confinada a meios científicos e agora outros públicos vão conhecê-la, sobretudo os empreendedores, empresários e industriais, que dão muita credibilidade ao Grande Prémio BES Inovação, cuja selecção envolveu quase todas as universidades portuguesas.

Porque é que o tema dos polímeros e a sua ligação à saúde é considerado tão importante?
Os materiais poliméricos estão em todo o lado e têm inúmeras aplicações, desde cartões de crédito, sacos, garrafas de plástico… A nossa equipa interessa-se em usar plásticos especiais para aplicações médicas. Por exemplo, os obtidos a partir de resíduos ou subprodutos da indústria pesqueira e dos recursos marinhos. Podemos ir buscar materiais muito interessantes – cascas dos caranguejos e dos camarões, algas, espinhas dos peixes, corais, conchas – e dar-lhes um valor muito acrescentado em produtos com interesse na área médica.

Em que outros projectos científicos de relevo está envolvido neste momento?
A minha actividade está canalizada às grandes linhas de investigação do grupo 3B’s, como achar novas soluções terapêuticas para a regeneração de órgãos e tecidos. Imaginemos um problema da articulação na anca. Normalmente tira-se a parte danificada e coloca-se a prótese. Tentamos encontrar soluções não para substituir mas para regenerar e utilizar os próprios mecanismos biológicos (células, moléculas) dos pacientes. Utilizamos também materiais que respondem a estímulos externos, como à temperatura e acidez do meio, ou então abordagens biomiméticas. Por exemplo, o projecto premiado baseia-se no uso de superfícies que repelem tanto a água que se pusermos uma gota de líquido forma pequenas esferas na superfície. Isso é biomimetismo, reproduzimos no laboratório o que já existe na natureza, como a folha de lótus, as asas de alguns insectos e as penas de alguns pássaros.

Fonte: uminho.pt

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